Um novo sistema de transporte coletivo pode transformar a mobilidade entre o Entorno do Distrito Federal e a capital federal. O projeto do BRT do Entorno prevê um corredor exclusivo ao longo da BR-040, ligando Luziânia, Valparaíso de Goiás e a região de Santa Maria, no Distrito Federal, com integração ao sistema já existente no DF. A estimativa é de investimento próximo a R$ 1 bilhão e atendimento de aproximadamente 64 mil passageiros diariamente.
Projeto entra na fase final de estudos
O projeto do BRT do Entorno está nas etapas finais do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. A expectativa é que a documentação seja concluída e apresentada à Caixa Econômica Federal para avançar em direção ao processo de licitação.
Os recursos previstos estão vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo informações apresentadas pelo prefeito de Valparaíso de Goiás, Marcus Vinícius, ao Jornal Opção. O investimento deverá contemplar tanto a infraestrutura do corredor quanto a aquisição dos veículos que irão operar o sistema.
A proposta surge como uma alternativa para um dos principais problemas enfrentados diariamente por moradores do Entorno: o deslocamento entre as cidades goianas e o Distrito Federal.
Trajeto será pela BR-040
O traçado estudado utiliza o canteiro central da BR-040. De acordo com o estudo, a escolha considera fatores como a existência de grandes polos geradores de viagens, a possibilidade de reduzir desapropriações, maior potencial de integração e menor impacto ambiental.
O sistema deverá funcionar em via segregada, separada do tráfego convencional, com o objetivo de proporcionar maior velocidade e segurança aos passageiros.
O percurso previsto terá início em Luziânia, seguirá por pontos estratégicos de Valparaíso de Goiás e Novo Gama, com integração na região de Santa Maria, no Distrito Federal. A partir do terminal de Santa Maria, a proposta prevê conexão com o BRT já em funcionamento no DF.
Sete pontos estão previstos no percurso
O projeto prevê três terminais e quatro estações distribuídos ao longo do corredor:
- Terminal de Luziânia;
- Estação Três Poderes, em Luziânia;
- Estação Jardim Ingá, em Luziânia;
- Terminal Valparaíso Sul/Cidade Ocidental;
- Estação Valparaíso Centro;
- Estação Valparaíso Norte/Novo Gama;
- Terminal de Santa Maria, no Distrito Federal.
A estrutura deverá permitir a integração entre diferentes linhas e municípios, facilitando o deslocamento dos passageiros que diariamente atravessam a divisa entre Goiás e o Distrito Federal.
Demanda pode chegar a 64 mil passageiros por dia
Os estudos apontam uma demanda potencial de aproximadamente 64 mil passageiros diariamente.
A estimativa é distribuída da seguinte forma:
- Cidade Ocidental–DF: 21 mil passageiros por dia;
- Luziânia–DF: 18 mil;
- Valparaíso de Goiás–DF: 16 mil;
- Novo Gama–DF: 9 mil.
Os números refletem a intensa movimentação de moradores do Entorno em direção ao Distrito Federal e reforçam a necessidade de alternativas de transporte coletivo de maior capacidade.
Uma pesquisa de Origem e Destino utilizada no projeto registrou mais de 93 mil viagens diárias de Valparaíso para o Distrito Federal e outras 97 mil no sentido contrário, além de dezenas de milhares de deslocamentos realizados dentro do próprio município.
Velocidade média prevista é de 43 km/h
Entre as características previstas para o novo sistema está uma velocidade média operacional de aproximadamente 43 km/h. O tempo estimado de parada nas estações é de 30 segundos.
A proposta também prevê cobrança da tarifa antes do embarque, modelo conhecido como pré-embarque, para agilizar a entrada dos passageiros nos veículos.
A frota projetada deverá contar com 28 ônibus articulados e cinco veículos convencionais. Inicialmente, os estudos consideram veículos movidos a diesel ou biodiesel, com padrão de emissão Euro 6.
Impacto esperado na rotina dos moradores
Um dos principais objetivos do projeto é reduzir o tempo gasto pelos moradores do Entorno nos deslocamentos para o Distrito Federal.
Atualmente, dependendo do município de origem, o percurso até Brasília pode consumir várias horas, especialmente nos horários de maior movimento. Com um corredor exclusivo e integração com o sistema do DF, a expectativa é aumentar a previsibilidade e reduzir o tempo das viagens.
Além da mobilidade, o projeto poderá facilitar o acesso dos moradores do Entorno a empregos, serviços públicos, escolas, universidades, hospitais e outras atividades concentradas no Distrito Federal.
Obras devem incluir infraestrutura e novos terminais
O investimento estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão deverá abranger uma série de intervenções necessárias para implantação do sistema.
Entre elas estão serviços de terraplenagem, drenagem, pavimentação, implantação das faixas segregadas, estruturas de proteção, estações, terminais, passarelas e intervenções viárias, além da aquisição dos ônibus.
Apesar do avanço dos estudos, o projeto ainda depende da conclusão das etapas técnicas, da apresentação da documentação à Caixa Econômica Federal e da realização do processo licitatório.
Se avançar conforme o cronograma previsto, o BRT poderá representar uma das principais intervenções de mobilidade já planejadas para integrar o Entorno Sul de Goiás ao Distrito Federal.
Fonte: Jornal Opção, com informações do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica do projeto.



