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Quanto mais tecnológica, mais humana a medicina será

No contexto da relação médico-paciente, as habilidades objetivas fornecidas pela tecnologia são extremamente úteis.
Foto: Freepik.
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O psicanalista húngaro Michael Balint, em seu livro “O Médico, Seu Paciente e a Doença”, analisou a relação médico-paciente, sem imaginar como essa relação seria transformada pelo progresso tecnológico. Atualmente, o conceito de “cuidado centrado no paciente” é amplamente discutido no campo da saúde, com princípios como dignidade, compaixão, respeito e apoio emocional. Embora a inteligência artificial beneficie a coordenação e personalização do cuidado, ainda não há IA capaz de simular sentimentos como dignidade e compaixão.

No contexto da relação médico-paciente, as habilidades objetivas fornecidas pela tecnologia são extremamente úteis. Elas permitem que médicos tenham acesso a dados para diagnósticos mais precisos e rápidos, além de reduzirem burocracias. Os pacientes também se beneficiam com o crescimento de fontes de informação e com aplicativos e dispositivos que acompanham seu tratamento. A digitalização dessas tarefas permite que médicos e pacientes criem uma conexão mais humana, livre de questionamentos impessoais e mecânicos.

É importante ressaltar que os médicos não serão substituídos por tecnologias, mesmo que elas possam realizar procedimentos com grande precisão. O contato humano é fundamental na medicina, como era há mais de 2 mil anos com Hipócrates. A tecnologia ampliará a capacidade do médico de fornecer atenção pessoal e habilidades médicas, enquanto os pacientes terão apoio digital para seguir tratamentos e acessar conhecimento para prevenção. Assim, a medicina se encontra em um paradoxo interessante e curioso: quanto mais digital e tecnológica for, mais humana e pessoal ela poderá se tornar.

Matéria Original: Veja / Claudio Lottenberg.

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