Exercício físico diminui o risco de ansiedade, de acordo com um estudo feito na Suécia com quase 200 mil esquiadores de cross-country. O estudo mostrou que ser fisicamente ativo reduz pela metade o risco de desenvolver ansiedade clínica ao longo do tempo. Embora o estudo tenha se concentrado no esqui, os pesquisadores afirmaram que praticamente qualquer tipo de atividade aeróbica pode ajudar a proteger contra preocupações e medos excessivos.
Os benefícios do exercício para a saúde mental já são bem conhecidos pela ciência. Estudos mostram que a prática de exercícios pode melhorar o humor, tornando as pessoas mais resilientes, felizes e menos propensas a sentir tristeza, nervosismo ou raiva sem motivo aparente. Além disso, quanto mais nos exercitamos, menor é a chance de desenvolvermos depressão grave. O sedentarismo, por outro lado, aumenta o risco de depressão.
Em um estudo neurológico importante de 2013, foi descoberto que a prática de exercício resulta em uma menor ansiedade em roedores, provocando um aumento na produção de neurônios especializados que liberam uma substância química que acalma a hiperatividade em outras partes do cérebro.
Os cientistas do exercício da Universidade de Lund, na Suécia, juntamente com profissionais de outras instituições, decidiram examinar a saúde mental a longo prazo dos milhares de homens e mulheres que participaram da Corrida de Vasa, famosa competição de esqui cross-country promovida na Suécia, ao longo dos anos. Os pesquisadores já compilaram dados sobre os participantes da Corrida de Vasa para estudar como a prática de exercício influencia a saúde do coração, os riscos de câncer e a longevidade.
Embora a descoberta de que as mulheres com as melhores marcas na competição tendem a desenvolver ansiedade com mais frequência do que outros esquiadores tenha surpreendido os pesquisadores, o estudo concluiu que não é necessário praticar exercícios extremos para alcançar os efeitos benéficos em relação à ansiedade.
As descobertas do estudo têm limitações, já que não provam que a prática de exercício melhora o humor de uma pessoa, apenas que as pessoas altamente ativas tendem a ser menos ansiosas do que seus pares mais sedentários. No entanto, os pesquisadores suspeitam que a atividade física altera o nível de substâncias químicas cerebrais relacionadas ao humor, como a dopamina e a serotonina, e reduz a inflamação em todo o corpo, incluindo o cérebro, contribuindo fisiologicamente para uma saúde mental mais robusta.
Fonte: Folha de São Paulo



