Novas máquinas de Inteligência Artificial (IA), conhecidas como geradoras de conteúdo, estão avançando na criação de um pesadelo antecipado por obras de ficção científica: a tomada do controle do mundo por robôs. Essa dominação poderia acontecer devido à fragilidade da sociedade diante de incertezas sociais e econômicas que acompanham a evolução dos cérebros eletrônicos. A Revolução Industrial do século XVIII afetou trabalhadores físicos, enquanto agora as máquinas podem reproduzir tanto tarefas físicas quanto mentais com produtividade sobre-humana.
Para entender como isso pode acontecer, é necessário levar em conta a conectividade na IA generativa. Para “pensar”, os programas acessam todos os dados disponíveis em bancos virtuais no planeta. A partir daí, a máquina detecta padrões, checa a eficiência de cada um e constrói sua proposta para executar o que precisa ser feito. Em outras palavras, cria uma opção, fruto de seu “pensamento”. No entanto, essa acessibilidade aos dados cria uma rede própria das máquinas, que passa ao largo dos humanos operando na internet. Os cérebros eletrônicos “conversam” o tempo todo, o que pode levar a um levante dos robôs, segundo os mais pessimistas.
O termo “Inteligência Artificial” foi proferido pela primeira vez por John McCarthy em uma conferência em 1956, na qual o professor definiu uma ciência voltada a construir máquinas inteligentes. Agora, após sete décadas de busca por dispositivos eletrônicos que simulam o cérebro humano, a mais recente geração de IA está levando a tecnologia a um novo patamar.
O avanço da Inteligência Artificial (IA) é uma questão que tem gerado preocupação entre especialistas no mundo digital. De acordo com Denis Caldeira de Almeida, ex-Meta e ex-Google, a IA é capaz de atuar de maneira mais eficiente e muitas vezes com maior capacidade do que um ser humano, colocando muitas profissões em risco. Além disso, a tecnologia está num processo de infiltração no dia a dia das pessoas, agindo de modo sutil, a ponto de redirecionar o pensamento humano.

Essa preocupação resultou em uma carta aberta assinada por dezenas de figuras relevantes no mundo digital, como Steve Wozniak, criador da Apple com o parceiro Steve Jobs, e Elon Musk, dono do Twitter e da Tesla, empresa com IA em praticamente todos os seus produtos. Liderados por esses pesos-pesados, os autores da carta e seus signatários receiam um descontrole no veloz desenvolvimento de IA, chegando a convocar uma paralisação nos estudos na área por pelo menos seis meses, “para repensar o processo”.
A carta tem sido vista pela mídia como um “sinal de alerta”, mas é motivo de desconfiança em boa parte da comunidade virtual. Para Caldeira, “essas solicitações não são puramente motivadas pelo medo do descontrole dos robôs, mas também por uma tentativa das empresas maiores de alcançar o patamar que a OpenAI ocupa”.
Em resumo, o debate sobre o controle do avanço da tecnologia de IA está em pauta no mundo digital, e a carta aberta assinada por figuras relevantes no setor levanta questões importantes sobre como essa tecnologia pode afetar a sociedade e as profissões.
Texto original: Isto É – Comportamento.



