Nos últimos meses, a inteligência artificial (IA) se tornou um tema diário de discussão para a imprensa global. A OpenAI, uma startup liderada pelo CEO Sam Altman, conquistou o mundo com o lançamento de sua mais recente plataforma, ChatGPT, em 30 de novembro do ano passado. Esse robô amigável simula uma conversa em texto entre o usuário e um “amigo” virtual, acessando trilhões de informações de sua programação e elaborando respostas que parecem ser escritas por um humano.
Embora gigantes do Vale do Silício estejam trabalhando em projetos semelhantes, foi a pequena OpenAI que decidiu compartilhar essa tecnologia com o mundo em uma plataforma aberta e simples. Essa jogada audaciosa gerou um turbilhão de questões abertas, que vão desde questões de direitos autorais até preocupações éticas sobre estudantes usando o ChatGPT para criar tarefas escolares a partir de uma simples pergunta.
De acordo com Altman, “há um hype exagerado sobre esses sistemas. Não há tanta urgência e temos tempo para ver mudanças reais no mundo e ajustar nossas rotas”. O setor educacional é um exemplo primordial da tese do fundador da OpenAI. Inicialmente banido das escolas, o ChatGPT está sendo adotado por instituições educacionais. Em Nova York, ele até se tornou um assunto no currículo escolar. Em São Paulo, a Secretaria de Educação do estado anunciou que os alunos trabalharão com a ferramenta, que corrigirá seus textos e apontará como eles podem melhorar sua escrita.

O lançamento do ChatGPT também estimulou o desenvolvimento de programas que criam ilustrações a partir de descrições textuais, como o DALL-E da OpenAI, bem como forjadores de fotos como o Midjourney, que permitiu a criação da foto falsa viral do Papa Francisco vestindo um casaco moderno. Além desses, há ferramentas que poderiam potencialmente substituir programadores humanos criando programação digital em segundos, uma tarefa que levaria anos de estudo para programadores humanos e várias horas para concluir.
No entanto, a carta aberta de jogadores de mercado é impulsionada mais por empresários do que por membros da comunidade científica. Um relatório recente da Universidade de Stanford mostra claramente a influência de empresas privadas nesse processo. Na década de 1970, todos os avanços em IA foram produzidos em um ambiente acadêmico. No ano passado, 32 novos modelos de aprendizado de máquina nasceram em empresas de tecnologia comercial, enquanto apenas três foram desenvolvidos pela comunidade acadêmica.
Texto original: Isto É – Comportamento.



